quarta-feira, 18 de março de 2009

Varsóvia

Cá estou de volta à minha terra Natal com a barriga cheia de cultura polaca, pierogis, vodkas, Chopins, Karois Voitilas e de insurreições contra os alemães.
Só agora consegui actualizar o blogue com o relato da estadia em Varsóvia. É uma hora de diferença, ainda estou com o jetlag.
Isto é um blogue sobre bonecada por isso vou passar rapidamente a parte turística. Quem quiser ver reportagens mais pormenorizadas sobre esta viagem pode ir aos blogues dos meus companheiros de expedição, Osvlado Macedo de Sousa humorgrafe.blogspot.com ou do Carlovski Laranjeira carloslaranjeiracartoon.blogspot.com. Nesta imagem iamos a caminho da universidade, o Osvaldo ia dar uma palestra sobre cartoon e caricatura enquanto eu e o Carlos Laranjeira faziamos caricaturas.
Estes são alunos universitários de um curso de 5 anos de português que assistiram à palestra. Todos eles falam e escrevem português fluentemente. Pergunto o que é que vão fazer com este curso?!?!?! Foi nesta aula que fizémos a primeira sessão de caricaturas. Escolhi uma professora que não deve ter gostado da caricatura que lhe fiz. Saiu mais cedo da aula e voltou sem o desenho. Provavelmente transformou o boneco em ripas numa daquelas máquinas de destruição de documentos.
Mais tarde foi a vez da inauguração da nossa exposição no Centrum Towicka. Disseram-nos que iam aparecer vários canais da Televisão Polaca para cobrir o acontecimento. A única que apareceu para uma entrevista foi uma menina da rádio universitária.


O povo polaco é muito simpático e muito organizado. São parecidos com os portugueses... na simpatia. Têm o gosto e o interesse pelas artes e pelos vistos pela caricatura também. Levei comigo uma caricatura do Papa João Paulo II que se revelou ser um bom cartão de visita. A própria directora da Exposição abraçou-se a mim tipo agradecimento pelo boneco. Depois contei-lhe que um caricaturista português tinha feito um Papa com um preservativo no nariz e a senhora ia-se engasgando com o vinho português que estava a beber.


Fizeram uns postais para a exposição com os nossos bonecos para oferecerem às visitas. Mais um gesto simpático da organização. Estas caricaturas que espalhei por este post são alguns exemplos da minha contribuição para a exposição. Sei que esta mesma bonecada vai andar a passear pela Polónia.
No dia seguinte fomos a uma escola secundária, mais palestras e sessões de caricatura ao vivo. Este é o director da escola que nos convidou para o seu gabinete para lhe fazermos a sua caricatura. Era simpático, ofereceu-nos chupas, mas ainda tinha alguns tiques do antigo regime ditatorial. Todos os alunos deste liceu eram obrigados a andar de pantufas para não estragar o chão de madeira.
Esta sala era enorme e estava bastante composta. Todos estes alunos estavam de pantufas.
Aqui estava a explicar como se faz uma caricatura. Lá atrás está uma aluna a tentar a sua sorte nesta arte com outra aluna como modelo. Desenhava muito bem. Houve outro aluno que se ofereceu para fazer uma caricatura sob a minha orientação. Eu tentava explicar-lhe em inglês que devia fazer um traço mais solto e saiu-me um "soltei-te yourself!"
A gastronomia era formidável. Aqui estávamos a brindar antecipadamente ao sucesso da viagem. Sempre que houve palhaçada mais embaraçosa faziamo-nos passar por espanhois. Os Nuestro Hermanos é que ficavam queimados. Em primeiro plano o incansável anfitrião do Instituto Camões, o professor José Carlos. Lá atrás está a Margarida, mulher do Osvaldo, veio em turismo e esteve sempre connosco.

Mais uma sessão de caricatura, desta vez numa livraria de Comics de um amigo polaco do Zé Carlos. Condições miseráveis, havia pouca luz. Valeu aquela garrafa de licor que estávamos a beber com 95% de teor alcoólico. Era o que dizia no rótulo.
Aqui já é o festival de Banda Desenhada de Varsóvia, o equivalente ao nosso da Amadora. Os nossos nomes estão patentes nestes cartazes.
Trabalhámos que nem uns mouros.
Os polacos até não são difíceis de caricaturar, têm caras cheias de atributos com elementos que ajudam a identificar, tipo chapéus, óculos, pêras, bijuteria, etc.
As mulheres são geralmente mais dificeis de caricaturar e também mais susceptíveis. E quanto mais bonitas mais difíceis como foi o caso das polacas. Todas parecem umas princesas, desde a mulher do lixo à mulher que limpa as latrinas.
Outro elemento importante foi a nossa tradutora: Dorota Kwinta, também do Instituto Camões e também professora universitária de português. Aqui está a traduzir mais uma palestra do Osvaldo sobre a caricatura e o cartoon desportivo em Portugal.
E ao 5º dia lá descansámos depois de uma epopeia de caricaturas. A nossa amizade sobreviveu a este teste (entre todos os elementos da comitiva). O Vodka ajudou!

7 comentários:

P disse...

Bela paródia!

Mas tou a ver que estás a ficar reconhecido internacionalmente... estou orgulhoso! espero um dia poder dizer a toda a gente que te conheço...

Pedro disse...

Umas caricaturas de sucesso (ou será um sucesso caricato?). Parabéns. Próxima etapa: New York!

Mariana disse...

Esta última fotografia diz tudo!

Vídeo da neve disse...

É o que se chama ir de vento em popa!
Não deixa de ser significativo teres grande sucesso nos mercados do leste, que como todos sabemos são evoluidíssimos e de primeiro mundo! :-)
Grande abraço e Parabéns à M'inha.

careta de mulher disse...

Essa boca para os mercados de leste é de quem não sabe quais os países do Mundo onde se faz mais e melhor caricatura... quem adivinha?
O dono do blogue depois desvenda... não é, Pedro?!

Anónimo disse...

Que viagem bestial.De certeza que o Lech Kaczynski está ansioso à espera que lhe façam "o retrato". E nós também!
RM

Anónimo disse...

Meu caro, as tuas caricaturas e os teus cartoons arrancam sorrisos e gargalhadas, consoante a maior ou menor identificação de cada um com o tema em questão. Mas a tal gargalhada mortal, aquela a que aspiras quando desenhas ao vivo, conseguiste-a comigo através da descrição da tua viagem à Polónia: "SOLTEI-TE YOURSELF" é do melhorzinho que tenho lido ultimamente!!! Seja como for, muitos parabéns pelo sucesso na gélida Polónia.