O senhor polícia não está na lista dos meus espécimes preferidos. Aliás, está nos antípodas das minhas preferências. Prefiro os ladrões aos polícias. Prefiro ser assaltado por um gangue armado do bairro do Pica-Pau do que ser parado pela polícia numa operação stop. É garantido que, no segundo caso, me vão ao bolso.Há vários elementos comuns nas fácies dos agentes da autoridade: prepotência, arrogância e nhurrância (de nhurro). Além de que estão sempre de perna aberta. Todos, sem excepção.
Devem ter na Academia uma disciplina que lhes ensina esta posição. Imagino o seguinte horário: 8:30 Tiro defensivo, 9:30 Técnicas de combate com bastão 10:30 Perna aberta...
Acredito que os polícias eram pessoas normais até ao dia em que vestiram a farda pela primeira vez. Aquela farda transfigura quem a usa tal como o anel Um do Senhor dos Anéis transfigurou o Sméagol em Gollum. Usar uma farda e um distintivo dá a volta à cabeça de qualquer um.
Os polícias têm o poder absoluto, podem fazer o que quiserem, inclusivamente decapitar pessoas nos interrogatórios. Morro de medo da polícia e do perigo público que representa.
Foi neste enquadramento que me surgiu uma oportunidade estranhíssima de representar... exactamente... ora vejam:
http://www.youtube.com/watch?v=6h2craya7xg>
Pois é, o senhor polícia deste filme sou eu! Um pai de um amigo do meu filho que também é meu amigo, o que faz de vizinho neste filme (na vida real não tem aquela cabeleira) trabalha com o Nuno Markl nas Produções Fictícias. Em conversa informal, sabendo eu que ele faz regularmente sketchs para a TV, ofereci-me para fazer de figurante. Disse-lhe "se algum dia precisares de um tipo para levar um tiro, de um carteiro para entregar uma carta ou de um polícia para passar uma multa, por exemplo, podes contar comigo."
Mal sabia eu que dois dias depois estavam-me a ligar da produção a pedir medidas de calças e de cabeça (para o chapéu) para fazer de polícia neste sketch.
Foi uma óptima oportunidade de conhecer pessoalmente o "cromo" do Nuno Markl e ainda por cima contracenar com ele. Mal sabia ele que estava a lidar com um actor completamente amador. A minha última representação tinha sido a fazer de Menino Tonecas, numa peça da escola, na segunda classe.
Adorei a experiência.
Mas para a próxima o meu cachet será mais alto.




























