segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Caretas da República - Parte 1

O livro das Caretas da República já está à venda nas livrarias há algum tempo mas só agora tive oportunidade de o lançar aqui no blog. É mais um livro da saga Caretas, mas desta vez, para variar, em vez de jogadores de futebol caricaturámos políticos. Os textos estiveram mais uma vez a cargo do Luís Miguel Pereira, que saiu da sua zona de conforto (futebol) para se aventurar num tema tão complexo como o da República. Acho que se safou muito bem. Os desenhos são meus e do Ricardo Galvão (A Bola). Desta vez o Carlos Laranjeira tirou uma licença sabática e não participou. Tive pena. Fica para a próxima.
À conta deste livro aprendi muita coisa sobre estes 100 anos da República em Portugal. Era o tipo de matéria que nunca dávamos em história, porque o ano acabava sempre antes de chegarmos ao Séc. XX. Fiquei muito mal impressionado com os republicanos. Aliás, era republicano quando comecei a fazer este livro mas acabei monárquico. Não perdoo o que os republicanos fizeram com a nossa bandeira. Era linda, branca e azul, com categoria e tranformaram-na numa bandeira da República do Congo.
Neste post só vou pôr os bonecos da primeira parte do livro
correspondentes à Primeira República. São figuras altamente caricaturáveis cheias de adereços, cabelos e bigodes. Estes elementos dão sempre jeito numa caricatura, ajudam a identificar a criatura em questão. Estes tipos deviam ficar horas a pentear as cabeleiras e a aparar os bigodes e as pêras antes de sair de casa.
Este é o Bernardino Machado, foi Presidente da República por duas vezes, teve 19 filhos e foi altamente caricaturado na sua época. Percebe-se porquê. Foi ele que teve a brilhante ideia de levar Portugal a participar na Primeira Guerra Mundial.
Uma das coisas boas desta época é que foi prolífera em caricaturas e cartoons. Toda esta época está documentada com desenhos de Silva Monteiro, Jorge Barradas, Francisco Valença, Stuart Carvalhais, Alonso, Leal da Câmara, entre outros. Grandes mestres que marcaram uma época e que ainda servem de inspiração a muita gente.
O balanço que se faz da Primeira República é catastrófico. Em 16 anos houve 45 governos e 8 presidentes. O país estava na miséria, muito parecido com o que se passa hoje em dia. O país só voltou a entrar nos eixos quando apareceu um menino chamado António de Oliveira Salazar. Mas isso fica para o próximo post.

Estas caretas podem ser vistas no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, no Fórum Luís de Camões até ao dia 7 de Novembro. Apareçam

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Dignidade

A FECO Portugal - Associação de Cartoonistas em parceria com a Amnistia Internacional, organizam pela segunda vez uma Exposição Internacional de Cartoon, desta vez sob o tema "Dignidade". São mais de 100 autores de 37 países, com uma participação portuguesa siginficativa.
Também participei e contribuí com este cartoon. Demorei algum tempo a chegar a uma ideia. Ao contrário do que pensava, o tema digindade não é fácil. Mas aqui está ele.

Este é o cartaz do evento, com toda a informação importante. Esta exposição tal como a do ano passado vai ser itinerante e segue, depois de Lisboa, para a Lousã. A inauguração é já esta quinta-feira e estão todos convidados a aparecer. O grupo musical Anunamanta faz as honras de abertura. Não pode perder. É perto. É em Campolide!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Marcelo Rebelo de Sousa

O professor Marcelo… ou professor Martelo, como quiserem , é o que se chama, na gíria, uma picareta falante.

O martelo é uma picareta!

É uma picareta, mas é agradável aos ouvidos, pelo menos aos meus. Se calhar não é uma picareta agradável aos ouvidos do Sócrates, do Cavaco ou do Santana Lopes, mas aos meus é. Não me canso de o ouvir e já o ouço há muitos anos. Era capaz de o ouvir durante 5 horas seguidas sem me fartar. Gosto muito do som que sai de dentro da picareta do professor Martelo.

Proliferam os comentadores televisivos. Há mais comentadores que telespectadores. Então comentadores desportivos nem se fala. Há mais comentadores do que acontecimentos a comentar. Somos o país dos comentadores.
Desta parafernália de comentadores escolhi o Professor Marcelo como comentador de estimação. Nem que Jesus Cristo venha à terra eu mudo de comentador de estimação. É ele, ponto final. Está instituído, ouvir o professor ao domingo.
Ao contrário do professor Marcelo que, como já disse, é muito bem vindo a esta casa (televisivamente e pessoalmente se quiser), há outras caras que basta aparecerem na televisão (Sócrates, Cavaco, Louçã, Carlos Queiroz e, mais recentemente, André Villas-Boas…) e zás!, zapping directo para o canal Panda. Os meus filhos agradecem!

Umas das qualidades que invejo no Professor Marcelo é a sua capacidade para organizar e rotular tudo o que se passa neste país de doidos. Consegue dar sentido ao caos, consegue engavetar e arrumar assuntos como ninguém.

Por falar em engavetar, a caricatura que motivou este post foi directamente para a gaveta. Era para ter entrado num livro chamado Caretas da Democracia, que posteriormente foi transformado em Caretas da República e o professor foi dos que saltou fora. Valham-nos os blogs para evitar a gaveta do esquecimento.

Parece que só dorme 3 horas por noite à conta de tanta capacidade intelectual. Mais vale ser burro e dormir a noite inteira.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Francisco Zambujal

A cidade de Faro prestou uma justíssima homenagem a um dos seus conterrâneos, um ilustre e genial conterrâneo: Francisco Zambujal.
Várias exposições foram organizadas pela cidade sob a batuta da Humorgrafe, com o Osvaldo Macedo de Sousa à cabeça, mais palestras e tertúlias, para além da pintura de um painel de azulejos com desenhos do próprio. Do próprio, mas não desenhados pelo próprio que infelizmente já nos deixou há 20 anos.

Foram vários os colegas de profissão do Francisco Zambujal, que participaram na pintura do painel. Não foram assim tantos, foram 4. O Carlos Laranjeira e o Ricardo Galvão, dois sucessores directos do Mestre Zambujal na imprensa desportiva, o Fernando Madeira (cartonista de Faro) e eu.
Nunca tinha pintado azulejos, foi muito interessante (bué da fixe). Recomendo vivamente. Deviam acrescentar à àrvore, ao filho e ao livro, não morrer sem antes pintar um painel de azulejos.
Foi uma honra ter participado nesta homenagem. Sou fã dos bonecos do Xico (como o tratam os amigos) e fiquei fã do seu irmão Mário. No fim despedimo-nos com um forte abraço. Apesar de serem todos benfiquistas, a família Zambujal é muito simpática.
"Sendo algo de muito complexo, definiria o humor simplesmente como a arte de fazer sorrir de forma inteligente. Tudo o que provoca o riso boçal não é humor, mas sim uma forma de estupidificação. Creio que o humor português se afirma demasiadas vezes pela negativa, isto é, "gozamos" muito com as nossas próprias desgraças, ainda por cima nem sempre abordadas de forma mais inteligente. Os alvos são, quase invariavelmente, os mesmos: a crise, o governo, a televisão… O que, para além de cansativo, se torna monótono, roubando a força e o impacto que o mesmo tipo de humor teria se usado em doses menos maciças. Quanto mais um acontecimento se transforma em hábito, menos se dá por ele." Francisco Zambujal.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Uma Aventura no Alentejo

A FECO - Associação de Cartoonistas organizou, juntamente com a Câmara Municipal de Moura, uma exposição de BD sob o tema “Uma Aventura no Alentejo”. São 18 BD’s de 19 autores. Eu sou um deles.

A inauguração vai acontecer este fim-de-semana em Moura, sábado dia 14 de Agosto, às 18 horas, no Conservatório Regional do Baixo Alentejo. Das 21h às 23h haverá uma sessão de desenho ao vivo, com os autores presentes, no pátio da livraria “ao sabor da leitura”. Apareça, vai estar fresquinho.

Aproveitei esta oportunidade para voltar a ter um caso com o meu grande amor, a Banda Desenhada. A minha contribuição para esta exposição foram estas duas pranchas que aqui apresento. Se tivesse tido tempo teria feito mais. Se houvesse algum retorno económico teria feito 30. É por amor (e o amor é inexplicável) que ainda me dedico a esta arte. Coisa que o Sr. João Moutinho não faria concerteza se fosse autor de BD.
Em relação às minhas BD’s não há muito a dizer. Na primeira história fiquei com uma cãibra nos dedos de tanto fazer copy/paste. Uma história com um ritmo tipo 24h. Um dos personagens pode ser perfeitamente o Jack Bauer.

A segunda história é mais verosímil, passa-se com a maior parte das pessoas. Ora estamos com a cabeça cheia de fantasmas ora estamos com a cabeça limpa disponíveis para olhar os lírios do campo.

Este é o cartaz oficial da exposição. As histórias de BD, com o mínimo de uma e o máximo de quatro pranchas, são dos seguintes autores: César Évora, Mário Teixeira, Luís Afonso, Derradé, Álvaro, Pedro Alves, Hermínio Felizardo, Belisário, João Vasco Leal, André Oliveira, Zé Oliveira, RoD!, Nuno Duarte, Eduardo Welsh, Andreia Rechena, Varella, Petra Marcos, Carlos Rico e Pedro Ribeiro Ferreira

Destaco o empenho da FECO, em especial do Álvaro Santos e do Carlos Rico, incansáveis na organização deste evento. Enalteço o facto de promoverem uma exposição de BD para variar. Foi pena não se ter conseguido o albúm, mas no meio desta conjuntura económica já foi um milagre haver exposição e convívio.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Vuvuzelas não!!!

Este blog tem estado parado o que é um óptimo sinal. Quer dizer que tenho estado atarefado com trabalho a sério e com pouco tempo para os bonecos.

Quando a minha filha, no outro dia, chegou a casa e me pediu 5 euros para comprar um bocado de alcatifa que o Papa Bento XVI tinha pisado, estive quase para fazer um post sobre o tema, mas depois deixei passar o momento.

Quando o Benfica foi campeão também estive para fazer um post, em jeito de catarse, mas mais uma vez faltou-me a motivação.

Quando o Sócrates aumentou os impostos sob o pretexto de que o mundo tinha mudado em dois dias… idem, idem, aspas, aspas!

Enfim, motivos para posts não faltaram nestes últimos tempos, mas precisava de alguma coisa mais forte que me fizesse sair do marasmo em que me encontrava.

E foi nesse enquadramento que vi algo verdadeiramente aterrador e que me motivou a escrever este post: os penteados dos jogadores da Selecção Nacional!

Como é que é possível!!! Estão cada vez piores. São horas de treino perdidas para conseguirem ficar com os cabelos daquela maneira! Não quero ser um velho do Restelo mas aquelas cristas não auguram nada de bom. Não há memória de algum jogador ter erguido uma taça do mundo naquelas figuras!!!

No campeonato da cosmética somos os campeões!

Fiz questão de escrever este post antes da Selecção Nacional entrar dentro de campo, basicamente para dizer que não estou convencido. Esta equipa mais os seus penteados não me convencem. Mesmo que ganhem o Mundial não vou ficar convencido. Nem com um Ronaldo a 1.000 à hora ou com um Rúbem Amorim a 5.000 ou com o cabeleireiro da selecção a 10.000 eu vou ficar convencido.

Nem que o Queiroz prometa passear-se nu pelo Marquês de Pombal!

Nem com o Drogba no estaleiro!

Mas pior do que o Carlos Queiroz ter escolhido o Feeling como hino inspirador para a nossa campanha, ou que as reportagens da Selecção na Covilhã, ou que as conferências de imprensa dos jogadores… pior do que tudo isto são as vuvuzelas!!!!

Quem foi o gajo que inventou o raio da vuvuzela!!!! Que chatice! Ver um jogo com o barulho das vuvuzelas de fundo é pior do que um mosquito a zumbir no nosso ouvido numa noite de verão! O inventor da vuvuzela, o John Vuvuzela ou lá quem for, bem podia enfiar o raio da corneta num certo sítio em vez de a ter comercializado!!!!

Vou para a cama a ouvir o som das vuvuzelas.

Viva Portugal! Vamos a eles! Viva a Argentina!

Este Drogba entrou no livro das Caretas do Mundial de 2006.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Freud

Matar o pai para ficar com a mãe? Será que alguma vez tal coisa me passou pela cabeça? Gostava de acreditar que a infância é a idade da inocência e que não nascemos com instintos assassinos. Pelo sim ou pelo não, vou trancar a porta do meu quarto à noite, não vá o meu filho ter ideias.

A mulher é um ser castrado que tem inveja do pénis do homem!? Gostava de acreditar que a mulher gosta do seu corpo tal como é e se sente bem com os seus atributos. Pelo sim ou pelo não vou esconder as facas lá em casa.

Foi por estas e por outras que Freud marcou profundamente o pensamento do século XX e continua a ser um dos homens mais discutidos da história das ideias. Ainda hoje estas teorias não são fáceis de engolir. Naquela sociedade vienense, moralista e conservadora não devem ter achado graça nenhuma, deve ter sido escândalo atrás de escândalo!

Como cientista, Freud pensou e teorizou sobre a natureza humana mas também observou e fez experiências com muitos seus pacientes. O facto de ter estudado os orgãos sexuais das enguias, já mostrava desde cedo, tendências estranhas. As pesquisas que fez com cocaína, em que ele próprio era a cobaia das suas experiências, também explicam muita coisa.

O mérito de ter aberto um novo continente (psicanálise) ninguém lhe tira. A possibilidade de termos um mundo subterrâneo inconsciente que não controlamos é assustadora. Torna-nos vulneráveis. Os preconceitos em relação à psicanálise ainda estão na ordem do dia. As pessoas não sabem lidar com a sua própria complexidade, nem com as zonas obscuras do seu eu. Se realmente o desejo sexual é a motivação determinante do comportamento humano também não abona muito a nosso favor. Esta nova visão da infância em que a criança é um perverso polimorfo arrasa com muitos ideais mais cómodos e pré-concebidos.

Mesmo que os seus méritos literários fossem melhores do que as suas descobertas científicas o património que Freud nos deixou é inesgotável. Temos um mundo fabuloso por explorar que é a nossa mente, mas é preciso ter coragem para fazer a viagem. O Auto conhecimento é determinante para a nossa felicidade.

O ser humano ainda tem um longo trabalho de divã pela frente.

Há por aí muito boa gente que nem com divã, só mesmo com internamento imediato!