domingo, 14 de junho de 2009

Sporting 1

Inevitavelmente tinha de vir parar aqui... a este tema. Adiei ao máximo, resisti enquanto pude, mas agora cedi, a barragem transbordou. Preciso falar do Sporting, é mais forte do que eu! SPOOOOOOORTING, SPOOOOOOOOORTING! FORÇA SPORTING OLÉ, FORÇA SPORTING OLÉ... SÓ EU SEI, PORQUE NÃO FICO EM CASA!

Abro aqui uma porta, uma caixa de Pandora, um precedente sem retorno. É como entrar nos "entas", nunca mais se sai. Este post "Sporting 1" é o primeiro de muitos. Lá para o "Sporting 479" pensarei em mudar. Há pessoas que, quando se toca num tema, por exemplo a tropa, nunca mais se calam. O Sporting é a "minha tropa".
Mais do que a fome no Mundo, mais do que os problemas do desemprego, mais do que as violações dos direitos humanos, o que mais me preocupa é o Sporting.
Pelo Sporting enfiava-me num avião e chocava contra um arranha-céus.

À noite, em vez de contar carneiros, adormeço a pensar em táticas para o Sporting.

O Sporting é um clube diferente! Os nossos adversários sabem disso. Têm mais títulos sem dúvida, mas lá no fundo, bem lá no fundo, sabem que nós somos especiais, somos os "Special Ones". Queriam ser como nós! Sabem que somos mais educados, mais bem lavados, que não dizemos prenda mas sim presente, que não dizemos sanita mas sim retrete, que chamamos tia à nossa própria mãe e que descendemos de um Visconde.

O único estádio (esqueçam os azulejos) onde podemos passar por um país do primeiro mundo é o de Alvalade. Dá gosto ir a Alvalade, as pessoas são civilizadas (esqueçam a Juventude Leonina). Falo com conhecimento de causa, já fui a muitos estádios por esse país fora, assitir a jogos do Sporting, em especial à Luz, e digo que tenho muita sorte de ainda estar vivo. Estar na Faixa de Gaza com o lenço palestiniano é menos perigoso do que ir à Luz com um cachecol do Sporting!
Um dos grandes responsáveis pela minha sportinguite aguda é este senhor aqui caricaturado. Foi o melhor presidente que o Sporting teve até hoje, sete campeonatos ganhos em oito anos de presidência e que dá pelo nome de António Ribeiro Ferreira, meu avô.
O sangue verde "runs in the family". São motivos genéticos que servem de atenuante para qualquer comportamento irracional que tenha em prol do Sporting.
Foi o meu avô que juntou os 5 Violinos. Quando chegou a presidente já lá estavam o Peyroteo, o Jesus Correia e o Albano. Foi buscar o Vasques e o Travassos para completar o quinteto. Fez uma sociedade com estes dois chamada Cofril, para lhes garantir emprego e para não se irem embora. Naquele tempo os jogadores eram completamente amadores, não haviam cá Cristianos Ronaldos. Arranjavam empregos a sério e nos tempos livres jogavam futebol.
E assim é que devia ser ainda hoje.
Ainda me lembro do campeonato que o Sporting ganhou em 82. É das minhas recordações mais antigas. Lembro-me do Mezaros a ser levado em ombros e em cuecas.
O que nunca me esqueci foram os 18 anos seguintes de travessia no deserto. Por pouco não fiquei ateu.
Deus tarda mas não falha e com o Augusto Inácio à cabeça e com o Schmeichel, André Cruz, Acosta e companhia como tronco e membros, lá conseguimos ser campeões.
Foi magnífico ver os Sportinguistas a saírem da toca a festejarem e a desmoronarem o mito urbano dos 6 milhões.


Todos estes bonecos estão no livro Caretas do Sporting que fiz juntamente com o Luís Miguel Pereira, Carlos Laranjeira e Ricardo Galvão. Dos 5 livros das caretas que fizémos este é o que mais gosto.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Hugo Chavez

Mais um boneco que saiu na saudosa MAGAZINE - Grande Informação acompanhado pelo respectivo texto (bastante datado, o Bush ainda era presidente). Este é o caso típico em que o orginal supera em rídiculo qualquer caricatura que se faça.

Hugo Chavez

Não estava nos meus planos fazer um boneco sobre uma figura de um país como a Venezuela (sobre este país sei que a Miss Venezuela é sempre uma das finalistas no concurso Miss Mundo e pouco mais). Mas nestes últimos tempos, o seu presidente tem feito tanto barulho, tem deitado tantos foguetes, tem cantado de galo tão alto, que acabou por conquistar um lugar no meu influenciável coração de caricaturista.
É mais um para a colecção de ditadores doidos varridos que proliferam por esse Mundo fora e que nascem como cogumelos, em especial, na América Latina. Ainda aparecem, nos dias de hoje, personagens dignas dos livros do Tintim. Hugo Chavez nem é especialmente original. O tipo de discurso anti-americano, anti-globalização, anti-tudo, já está mais do que gasto. Repete a lenga-lenga do Fidel Castro e está em biquinhos de pés para o suceder. A importância que conseguiu alcançar deve-se ao facto de estar carregadinho de ouro negro até ao tutano. Nos dias de hoje o tempo de antena dos ditadores mede-se pelo número de barris de petróleo que cada um tem.
O mais extraordinário é que insulta o país que é o seu principal cliente. Tem tanto petróleo que até se dá ao luxo de chamar burro, assassino, bêbado, atrasado mental, ao presidente do país mais poderoso do Mundo. Disse que cheirava a enxofre, em plena sede da ONU, depois de o demónio (Bush) ter passado por lá.
Internamente vai tentando passar uma imagem de democrata. Tem um programa de televisão, “Alô Presidente”, em que supostamente interage com o país e de vez em quando faz uns referendos para mostrar que se interessa pela opinião do povo. Quando o resultado não lhe interessa vem ao de cima o seu fair-play e solta uns quantos “grande mierda”.
A conclusão que se pode tirar é que não estamos preparados para viver em democracia. Já fizémos umas quantas tentativas, houve boas intenções, mas acabamos sempre por regressar ao modelo mais fácil: a ditadura.
O problema não está na democracia em si, está nas pessoas, são geneticamente corruptas. Mesmo os países supostamente civilizados não gostam muito dos verdadeiros democratas.
Há um ditador em cada um de nós e no fundo gostamos de tipos como o Hugo Chavez. Nós, os portugueses em particular, recebemos todo o tipo de facínoras de braços abertos, com um sorriso rasgado e palmadinhas nas costas. O que mais me chocou na visita do Hugo Chavez a Portugal foi a descrição que ele fez do povo português. Em tom paternalista disse que éramos uns padeiros muito trabalhadores. Se não fôssemos tão submissos e politicamente correctos, deveríamos ter dado um murro na mesa e soltado um "Por que não te calas?!"

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Vários

Este ano a época dos concursos, dos salões e dos prémios de cartoon e caricatura está fechada. Fui a todas. Participei no World Press Cartoon, no Porto Cartoon, nos prémios Stuart, no Salão Vila Real de caricatura e até pela primeira vez resolvi participar num salão além fronteiras, nomeadamente no Brasil, nomeadamente em Brasília, nomeadamente no 2º SALÃO INTERNACIONAL PÁTIO BRASIL DE HUMOR SOBRE MEIO AMBIENTE mais conhecido por Ecocartoon (www.ecocartoon.com.br). Enviei 2 trabalhos sobre o tema "Poluição Urbana" e este aqui em cima foi seleccionado para a exposição.
Fico orgulhoso em saber que o meu cartoon está exposto num pátio de um shopping do outro lado do oceano, onde passam 50 mil pessoas por dia, no meio de trabalhos de cartoonistas do mundo inteiro.
Este é o caminho, a internacionalização. Vou apostar nos mercados emergentes e quem sabe transformar-me num cartoonista de sucesso no Nepal ou no Surinam. Já me registei nalguns sites internacionais de cartoons e caricaturas e dei por mim a trocar mails com sudaneses e iraquianos. Muito simpáticos e excelentes caricaturistas. A Internet é um meio privilegiado que se deve aproveitar.
Esta Amy Winehouse, juntamente com uma versão a preto e branco do Bob Dylan, foram a minha contribuição para o XIII Salão Luso-Galaico de caricatura - Vila Real 2009 sobre o tema a música. Em relação a este boneco... está lá perto mas "something is missing" como diria o Woody Allen.

sábado, 6 de junho de 2009

Fecho de época da caça

No seguimento do último post e numa de fechar o assunto caça, aqui vão mais uns bonecos que fiz para a mesma revista Calibre 12 lá para o ano 2000. Além dos caçatoons pediram-me para ilustrar algumas histórias de caça contadas em primeira mão por caçadores.

Estive hesitante em mostrar estes desenhos, se fosse rigoroso em seguir o raciocínio de só mostrar o melhor, e de esconder os desenhos menos conseguidos, estes provavelmente não teriam passado na inspecção. Mas serve de atenuante o facto de terem sido feitos há quase 10 anos. Gosto de constatar que evoluí desde então.
Os autores que desenham da mesma maneira toda a vida... arranjam uma receita e dali não saem. Gosto de ver por exemplo os primeiros álbuns do Franquim e comparar com os últimos. Percebemos que, em tempos, estes monstros do desenho também foram humanos e que nós também podemos chegar lá.

Além das ilustrações de artigos, pediram-me para fazer outros cartoons para publicitar as balas Melior. Atenção, muita atenção mesmo! As ideias destes cartoons e respectivos textos não são meus. Há que deixar bem claro. Só os bonecos!!!

Recebia as explicações por fax ou por carta, nessa altura utilizava-se pouco o mail, ainda por cima vindo de um caçador à moda antiga.
Identifiquei-me de tal maneira com o tipo de humor que resolvi não assinar os cartoons. Ainda podiam pensar que o argumento era meu.

Contestar ou sugerir outras ideias estava fora de questão, não só porque não convém contrariar quem costuma andar com uma caçadeira debaixo do braço, ainda por cima com cartuchos Melior, mas principalmente porque escrever uma carta de volta dava muito trabalho.

São bonecos que fazem parte do meu percurso, há que respeitá-los. Permitiram-me conhecer melhor a fauna do mundo da caça e desenhar animais que não eram nem são a minha especialidade. Se algum dia tiver de desenhar um javali, um muflão ou uma perdiz recorrerei a estes já feitos.
Fiz muitas coisas sobre caça e tornei-me um entendido, o que é obra para quem nunca deu um tiro num pássaro.

Este último desenho, como tem a ver com caça também segue neste post. É de 1998 (este é meu o limite temporal, não vou mais atrás do que isto) e foi feito para o programa do Campeonato da Europa de Percurso de Caça. Ainda a tinta da China e ecoline, não havia cá computadores.
Na altura tinha combinado encontrar-me com a pessoa (um caçador) que estava a tratar deste campeonato no Clube de Tiro de Monsanto. Atrasei-me e perdi-me em Monsanto. Quando finalmente cheguei pedi-lhe desculpa pelo atraso e expliquei-lhe as razões. Fui presenteado com um "Vai dar banho ao cão!"

Desde então esta expressão passou a fazer parte do meu vocabulário.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Caçatoons

De volta ao passado! Já tinha referido que este blog é em flash back, tipo pingue-pongue com viagens ao passado e com regressos abruptos ao presente.
Tudo o que diga respeito a bonecada, coisas que tenha feito como é óbvio, e que vá fazendo, vou pôr neste blog. Quando queimar todos os cartuchos... acabou-se. Por falar em cartuchos (não confundir com cartuxos que esses são monges) passo a explicar estes caçatoons:

Estes cartoons sobre caça foram os primeiros que publiquei na vida. Tinha feito uns desenhos humorísticos sobre caça para um folheto promocional de uma empresa desta área que foi distribuído pela comunidade de caçadores de Portugal.

Um dos caçadores que viu o folheto foi o director da Calibre 12. Gostou dos bonecos e contactou-me para colaborar na sua revista. Como este país é um penico, descobri que era grande amigo do filho dele que por sinal paginava a revista. Senti-me em casa.

Tive liberdade para fazer o quisesse. Tive o cuidado de não ofender a classe de caçadores. Não convém ofender quem costuma andar com uma caçadeira debaixo do braço.

Usei um humor muito suave, muito inocente, muito naif, muito parecido comigo. Não convinha mesmo ofender os caçadores. Tive de tratar o assunto com pinças.

Apesar de já terem uns aninhos, foram feitos em 2001, aguentaram bem a passagem do tempo, souberam envelhecer. Trabalhos que fiz muito depois destes cartoons estão muito menos "apresentáveis" e nem são dignos de aparecer aqui no blog, como o já referido Bob Dylan no último post.

E ao sétimo cartoon...Puf! Acabou. A revista tinha algumas dificuldades financeiras e um cartoonista era um luxo dispensável.
Gostei muito da breve colaboração e fui muito bem tratado por todos os caçadores em especial pelo director da revista. E não estou a dizer isto por medo da caçadeira debaixo do braço.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Bob Dylan

Mais um boneco que foi publicado na já extinta MAGAZINE - Grande Informação. Não foi exactamente este Bob Dylan que é uma versão melhorada do original que saiu na altura. O outro não passou na inspecção deste blog. Censurei-o. Foi dado como inapto. Aqui não entra! Vai ficar a descansar na gaveta de onde nunca devia ter saído. Há bonecos que me saem completamente ao lado, como foi o caso desse primeiro Bob Dylan. Não é que este me encha totalmente as medidas, mas está melhor.
Não devemos expor as nossas fraquezas. Os nossos inimigos não devem conhecer os nossos pontos fracos. Se não sabemos desenhar uma mão é melhor escondê-la atrás das costas. Se não sabemos desenhar um cavalo mudamos o argumento e utilizamos um burro. Se não estamos convencidos com um desenho é melhor não mostrar a ninguém. Os escritores também não publicam os textos menos conseguidos e com erros ortográficos.
O texto que segue em baixo é o mesmo que acompanhou o dito boneco na dita revista que agora descansa em paz. O esboço representa uma etapa do trabalho que muitas vezes prefiro ao trabalho final.
Bob Dylan
Estou com o chamado bloqueio de escritor, apesar de não o ser. Foi um disparate ter concordado colaborar nesta revista nestes termos. Mais doloroso do que os desenhos, é escrever o texto que os acompanha. Os bonecos falam por si, uma explicação adicional só prejudica. Quem desenha, desenha, quem escreve, escreve. Cada macaco no seu galho. Esta sugestão para fazer as duas coisas foi um absurdo. É um parto cada vez mais difícil, juntar o número de caracteres suficientes, para preencher a página, com uma prosa que faça sentido.
E para que esta introdução demorada não pareça um fait-divers para esconder o facto de não ter nada a dizer sobre o Bob Dylan, não vou perder mais tempo com esta lamechice.

Robert Allen Zimmerman, ou Bob Dylan, é um daqueles casos bicudos para um caricaturista uma vez que a sua cara já é uma caricatura. Por mais que se exagere, o original é sempre mais cómico. Neste caso, complementado também com uma voz de cartoon, com um desarranjo nasal complicado. E é essa voz, juntamente com o ninho de ratos na cabeça e com a gaita pendurada que me provocam sensações de repugnância e de admiração. Gosto especialmente da fase folk inicial, quando ele era considerado, juntamente com a Joan Baez, um ícone do Movimento dos Direitos Civis. Era ele, a viola e a harmónica contra o mundo. Como se a força da música fizesse a diferença. E esta fase foi tão intensa que ele nunca mais se livrou do rótulo de músico de protesto. Rótulo que recusa. Chegou mesmo a afirmar que não acreditava em nada do que tinha escrito ou cantado. Há cada um!
Mas a sua carreira é enorme e a sua discografia vastíssima. Ainda agora lançou um disco, 44 anos depois do primeiro. Impressionante. Mesmo a cair da tripeça, o tempo não perdoa, é de louvar a sua persistência. Deve precisar de tocar por uma questão de sanidade mental senão já estaria a gozar a sua merecida reforma.
Mas os tempos são outros e hoje em dia o panorama é diferente. Os Bob Dylans da vida já não aparecem por aí. A globalização uniformizou os gostos e institucionalizou a superficialidade. O mundo continua igualmente mal, com os mesmos problemas e ameaças, mas o que está a dar são músicas light sem conteúdo político ou social. Mesmo os mais alternativos são rapidamente transformados num produto comercial. O próprio BD foi transformado num hamburger do Mac Donalds. Como já não incomoda tanto é mais tolerado. Está naquela fase de receber prémios de carreira das mãos dos visados nas suas canções, que agora o aplaudem entusiasticamente. Mas o que interessa é que existem CDs e gravações e sempre que o quisermos ouvir na sua fase mais purista basta carregar no botão. Limpam-se as teias de aranha e ouvem-se as suas músicas. Espero que o tempo lhe faça justiça e que seja cada vez mais apreciado.
Mas a resposta a esta pergunta meu amigo it’s Blowing in the wind! (que final bruuagh?!)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

+ Encomendas

Esta semana tive um percalço informático, o disco do meu computador pifou! Foi tudo ao ar! Durante dois dias, enquanto decorria o processo cirúrgico de recuperação de documentos, fiquei sem saber se algum dia voltaria a ver os meus bonecos. Não, não tinha backups de nada. Confiava tanto no meu Mac que nunca me preocupei com isso. Rezei ao Santo António para encontrar o raio do disco. O técnico informático ia-me dando notícias muito pouco animadoras, para me preparar para o pior. Como pessimista encartado já me estava a mentalizar para mudar de profissão.
Mas ao 3º dia, depois da cunha e da influência do meu Santo preferido, os ficheiros e as pastas ressuscitaram!

Vou começar a publicar aqui no blogue num ritmo mais intenso, todos os meus trabalhos, antigos e recentes, antes que voltem a desaparecer. Não, ainda não fiz backups. Voltei a confiar no meu Mac!
Estes cartoons foram feitos para o trabalho mais insólito que me apareceu na vida até hoje. Fui contactado pela Vida é Bela, empresa de eventos, para estar como cartoonista residente num seminário ou conferência ou lá o que aquilo era, da McKinsey, empresa de consultoria, no Hotel Dom Pedro em Lisboa. Isto passou-se há 3 anos.

Os vários McKinseys que estavam neste evento, iam-se dispersando por várias salas do hotel onde estavam a acontecer vários workshops. Nalgumas dessas salas estavam cartoonistas preparados para ilustrarem as conclusões brilhantes a que estes homens chegavam. Além de mim também estavam de serviço o Carlos Laranjeira (Record) e o Ricardo Galvão (Bola). Cada um deles só teve de puxar da caneta uma vez. Eu tive o azar de ter ido parar à sala em que pediram 10 cartoons.
O problema é que falavam em inglês sobre temas complicadíssimos, quase impossíveis de passar para cartoon. Ainda por cima o meu interlocutor era um alemão que tinha um sotaque de general SS, tipo personagem do "Alô, Alô". Várias vezes lhe pedi para repetir o que me tinha acabado de dizer.
Estes cartoons foram posteriormente melhorados em computador baseados nos originais feitos na hora. O meu novo amigo alemão gostou muito dos bonecos e dois anos mais tarde voltou a contactar-me para fazer uma nova encomenda para uma nova leva de cartoons. Desta vez não foram feitos ao vivo. Foi tudo tratado por mail e por telefone.
Uma vez que se tratava de uma encomenda de um alemão aproveitei para pedir um preço "à alemã". O homem nem pestanejou. O problema foi que na hora de pagar o German despareceu do mapa. Não respondia a mails nem a telefonemas. Fiquei a pensar se não teria tido o azar de ter encontrado o único alemão pouco sério do mundo. Mas não, o homem era sério e acabou por pagar com imensas desculpas pelo atraso. Tinha ficado retido e incomunicável num país africano qualquer durante uns tempos.
Os primeiros 4 cartoons são alguns exemplos dos que foram feitos para o evento de 2006. Os segundos 4 já são exemplos da segunda encomenda. Nem vale a pena tentar explicar os bonecos. Precisava de vários dias.