Esta caricatura estava em trânsito, para ser lançada neste blogue, tipo ás de trunfo, na altura mais oportuna possível, no auge de uma polémica qualquer, de modo a que os comentaristas estivessem no ponto rebuçado prontos a avançar para um linchamento público. O caso Freeport foi a gota de água que faltava para desbloquear esta situação e que me fez avançar para este post com esta criatura.O que eu quero é peixeirada e gritaria, como foi com o Bush, comentários inflamados, gente enraivecida com pedras na mão a despejar impropérios contra os Magalhães e afins e a organizar um assalto ao palácio de São Bento. Eu participarei com todo o gosto!
Aproveito a ocasião para fazer mais uma sondagem:
Este boneco foi feito para a já extinta MAGAZINE – Grande Informação mais este texto que segue de seguida, um pouco desactualizado, já lá vão quase 2 anos.
José Sócrates
É uma questão de tempo, para qualquer Primeiro Ministro, cair em desgraça. O processo é cíclico e o desfecho é sempre o mesmo. Os governos começam muito bem, cheios de genica, determinação, projectos e reformas. Mesmo não fazendo absolutamente nada, o PM e respectiva pandilha, gozam de um estado de graça inicial que o povo dá de bandeja. A táctica é que a presa (PM) se convença que tudo está a correr às mil maravilhas e que é amado e respeitado pelo Zé povinho. Só que nesse periodo sabático de ilusão, os mesmos que lhe dão rebuçados e pancadinhas nas costas, estão nas suas cavernas a afiar as garras.
Parece-me que o processo descendente já está em marcha. Foi aberta oficialmente a caça ao homem e José Sócrates já se encontra nos preliminares do seu enterro político. Esta história da licenciatura é como que uma cerimónia de abertura das hostilidades.
As habilitações literárias pouco claras foram o pretexto ideal, para se começar a atirar pedra e a fazer mossa na carapaça do Engenheiro… aliás do Senhor José Sócrates. É um motivo mesquinho, mas de suma importância no país dos doutores. Os portugueses são muito impressionáveis e susceptíveis no que toca ao canudo.
Ninguém é melhor ou pior profissional por ter acabado ou não o curso. Há muitos doutores encartados que são uma nulidade e muitos autodidactas superiormente competentes.
Este assunto é irrelevante. Se o PM fizesse alguma coisa pelo país até podia ter a quarta classe. É normal querer parecer mais do que aquilo que se é. Quando se tem pouco conteúdo investe-se na imagem e Sócrates é um caso típico de produto de marketing político. Até à data, antes do caso “Curriculum Vitae”, era um produto com muita saída no mercado. O pacote cheirava bem, o cabelo estava sempre impecável, as unhas muito bem arranjadas, e pelo bom aspecto o consumidor comprava-o por impulso.
Na verdade não tinha adversários à altura. A sua vitória foi um passeio no parque. Há muito tempo que as pessoas de bom senso desapareceram da política. Não estão para se queimar ou mesmo esturricar por um país ingovernável.
Antes do vento mudar, Sócrates sempre teve boa imprensa. O seu estilo tecnocrata lembrava os bons tempos do cavaquismo e caiu imediatamente no goto dos jornalistas. Distanciou-se do socialismo mais humanista do Guterres e aproximou-se do autoritarismo salazarento. Isto é que o povo gosta. Não queremos diálogo nem conversas, estamos formatados para o despotismo.
Mas foi com a questão do aborto que o meu voto neste senhor ficou hipotecado para sempre. O seu empenho pessoal nesta cruzada e a maneira como foi apresentado o problema com aquela pergunta armadilhada, revoltaram-me profundamente. As nossas divergências são irreconciliáveis.
Para a história fica como o homem que liberalizou o aborto. Espero que daqui a uns anos, quando formos uma sociedade mais civilizada, consigamos olhar para este periodo com distanciamento e nos apercebamos da barbaridade que foi cometida.












